O projeto que impõe limites ao aumento de gastos,
do governo, continua em tramitação no Congresso. A PEC 241 passou pela primeira
votação, na Câmara Federal, com 366 votos favoráveis, 111 contrários e duas
abstenções, foram 58 votos além dos 308 necessários à aprovação. Para se tornar
lei, o projeto precisa passar por mais uma votação na Câmara e outras duas no
Senado. Com a proposta, o governo pretende congelar os gastos públicos por duas
décadas, e assim equilibrar as contas públicas. Isto inclui todos os gastos
governamentais, mas, a parte mais polêmica se centra no fato de que na prática,
o plano não apenas limita, mas reduz o gasto, e, portanto, os investimentos em
áreas essenciais como saúde, educação, segurança e atinge os programas de
proteção social, como o bolsa-família.
Ao defender o projeto, o ministro da fazenda,
Henrique Meirelles, declarou, em entrevista que a não aprovação obrigaria o
governo a considerar, outras, alternativas, que segundo ele “seriam piores para
o país”. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que a aprovação exige
rapidez, segundo ele “para o país sair definitivamente da crise”. Já o
presidente da República, Michel Temer se autoproclamou como “um construtor da
história” e completou que “não serão permitidos levantes nas ruas”.
A aprovação na Câmara envolveu um jantar, oferecido
pelo presidente Temer à sua base aliada no Palácio da Alvorada, a concessão de
aumentos salariais de 41,47% para o judiciário e de 12% para analistas e
técnicos do Ministério Público Federal. Estes aumentos foram renegociados após a deposição da presidenta Dilma
Rousseff. Em julho de 2015ª Dilma vetou o aumento médio de 59% nos salários dos
servidores, depois de que havia sido aprovado pelo Congresso. A estimativa do Ministério do Planejamento é de um
impacto de R$ 1,69 bilhão no orçamento deste ano.
A PEC 241 é mais uma das investidas do governo,
daquelas que só se pode esperar de um governante paradoxal e cujo propósito já
está claramente definido. Desde que se tornou presidente, Temer tem apresentado
um comportamento diferente dos seus três antecessores. Porém, as suas
idiossincrasias merecem atenção, não apenas pelo seu enredo político, mas em
especial pelo seu conteúdo moral, pois é a “visão de mundo” do presidente que
está nos conduzindo a mudanças muito sérias na vida da nação. Nas palavras de
Adam Smith, Temer – ao obter uma vitória atrás da outra no Congresso - está nos
levando à aceitação de um “pacto moral”. A questão é: Michel Temer é a pessoa
mais indicada para conduzir a nação neste momento? Quem é o presidente, Michel
Temer?
Temer é filho de imigrantes libaneses, nasceu em
1940, em Tietê, no interior de São Paulo, e cresceu no interior. Graduou-se em
direito em 1963 e atuou na área trabalhista. Iniciou a vida pública em 1970
como procurador do Estado de São Paulo. Em 1974 concluiu o doutorado em direito
público. Atuou como professor de direito, ocupou outros cargos, chegando a
procurador-chefe. Candidatou-se a deputado federal em 1986, quando não foi
eleito, mas ficou na suplência, tornando se deputado constituinte no decorrer
da Assembleia Nacional Constituinte.
Em 1995, Temer foi indicado para a liderança do
PMDB na Câmara Federal. Em seguida, com o apoio do governo Fernando Henrique,
foi eleito, por duas vezes, presidente da Câmara.
Tornou-se o Presidente Nacional do PMDB em 2001. No segundo governo de Lula, conseguiu aglutinar o PMDB, e,
diferentemente do primeiro mandato, o partido juntou-se à base governista. Em
2009, com o apoio do governo, de Lula e do PT, foi eleito para a presidência da
Câmara. E na composição da chapa para a disputa presidencial de 2010, o nome de
Temer não foi uma escolha dos governistas, mas, mesmo assim ele conseguiu ser o
escolhido para candidato a vice-presidente de Dilma
Rousseff. Com a vitória da candidatura, foi empossado vice-presidente
em janeiro de 2011. Durante o primeiro mandato, ele se descreveu como um
"vice decorativo". Já no segundo, ocupou mais espaço ao receber, da
presidenta, a incumbência do comando da articulação política do governo. Porém,
após desentendimentos públicos com a presidenta, somados aos descontentamentos
do Congresso, gerados pelas pressões da Lava Jato, Temer começou a conspirar,
abertamente, contra o governo e a atuar na articulação do apoio ao afastamento de Dilma.
Como vice-presidente, escreveu uma carta em tom
magoado à presidenta; e declarou, publicamente em entrevistas à imprensa, que
se afastaria do governo em fidelidade ao partido. Em outras palavras, o PMDB
era mais importante do que o cargo de primeiro substituto da presidenta, o qual
deveria ser ocupado por um estadista.
Ao assumir a presidência, Temer se tornou o
terceiro peemedebista a ocupar o cargo sem ter sido eleito. Antes, José Sarney
ocupou o cargo por cinco anos, em substituição a Tancredo Neves, que morreu sem
tomar posse, e depois Itamar Franco governou por dois anos após o impeachment de Fernando Collor (PRN). Se
cumprir o mandato, Michel Temer somará nove anos e sete meses de PMDB na
presidência, desde a redemocratização em 1985. Tendo o PSDB governado por oito
anos com FHC, e o PT por treze anos e quatro meses, com Lula e Dilma, o PMDB
foi o segundo partido que ocupou, por mais tempo, a Presidência da República nos
últimos 31 anos. São quase três governos não-eleitos pelo voto direto: o
primeiro, após a morte (mal explicada de Tancredo), o segundo, após a cassação
de Collor e, agora, com a deposição de Dilma Rousseff, usando como álibi, a
Constituição Federal.
Soa estranho pensar que o PMDB só tem ocupado a
presidência após crises, violentas, que afundam o país. O PMDB seria o salvador
da pátria nos momentos de grande turbulência? Ou seria o seu traidor, em benefício
de um projeto particular?
A composição do governo e as primeiras mudanças,
anunciadas, foram motivos de grandes críticas ao presidente. Inicialmente, pela
ausência de mulheres e negros; e, posteriormente, pelo anúncio da extinção do
Ministério da Cultura. Em contrapartida, Temer criou, para a primeira-dama,
Marcela Temer, o cargo de “embaixadora” do projeto “Criança Feliz”, segundo o
governo, um projeto de mobilização para o atendimento na primeira infância; o
orçamento disponível para Marcela gastar é de R$ 285 milhões.
Aos 76 anos,
Temer está em seu terceiro casamento. Do primeiro, com Maria Célia de Toledo,
teve três filhas: Maristela, 46 anos; Luciana, de 43 anos; e Clarissa, com 41.
Do segundo casamento com Neuza, não teve filhos. Em 1998, nasceu seu filho
homem (Eduardo) com uma jornalista, com quem não foi casado. Paga a pensão ao
filho, mas o vê pouco e não são próximos. Desde 2003 Temer está casado com
Marcela, 43 anos mais jovem do que ele.
Depois de concluir o ensino médio
na Escola
Estadual Porphyrio da Paz, em Paulínia, no interior de São Paulo, Marcela
trabalhou como recepcionista em um jornal local. Em 2002, aos dezenove anos, disputou o concurso
e ganhou o título de Miss Paulínia, para, em seguida, tornar-se
vice-Miss São Paulo.
Naquele mesmo ano conheceu Michel Temer
durante uma convenção do PMDB, à qual compareceu para acompanhar um tio (Geraldo),
filiado ao partido e funcionário da prefeitura de Paulínia. Começaram a namorar
dois meses depois e casaram-se em menos de um ano, em 26 de julho de 2003, em
uma cerimônia para, apenas, doze convidados. Segundo Marcela, ele foi o seu
primeiro namorado.
Em 2009, Marcela graduou-se em Direito, pela faculdade particular Fadisp, em São Paulo, com Trabalho de Conclusão de Curso
(TCC) "Fertilização In Vitro no Direito Brasileiro". Desde que
se casou Marcela não trabalhou mais, dedicando-se, exclusivamente a cuidar do
filho, do lar e a navegar pelas redes sociais.
Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo,
Temer afirmou que a mulher é advogada, mas o nome de Marcela Temer não consta
em nenhum registro da Ordem dos Advogados do Brasil. Ao ser questionada, em
entrevista, ela disse que não prestou o exame da OAB porque, na mesma época,
nasceu, Michelzinho, o filho do casal.
Agora, Marcela Temer, ocupa um escritório no
Palácio do Planalto: seu primeiro emprego, com um orçamento de quase R$ 300
milhões, segundo Temer ela “tem muitas preocupações sociais”. Fica difícil não
refletir: imaginem uma mulher com dezenove anos, que se casa com um homem de
62, logo após conhecê-lo, um político rico, influente, que pode oferecer a ela
uma vida de luxo, com empregados, viagens e joias. Ela se torna o seu troféu,
para ser exibido e invejado; ela atende aos ditames de uma sociedade
paternalista, e ao se matrimoniar com seu provedor, ela não precisa de se
preocupar com mais nada. Apenas em continuar sendo bela, recatada e do lar, com
cinquenta empregados - bancados pelo povo - inclusive para retirar a poeira dos
seus sapatos. Para a revista Veja, Marcela é uma mulher de sorte, mas para a
imprensa internacional ela é uma mulher fútil, comparada à rainha da
Inglaterra.
O fato de pertencer a um partido (PMDB) que não se
afasta do poder, independente da ideologia governante – tanto faz ser direita
ou esquerda; mais, a sua relação com o PSDB e com o PT; o seu comportamento com
a presidenta, diante da crise política, e o casamento, com Marcela, auxiliam na
compreensão do “homem Michel Temer”. Mas, tem ainda, a simbiose com políticos corruptos,
que o levou a formar o governo mais “ficha-suja” da história brasileira.
Sua chegada ao poder foi resultado de uma aliança
com Eduardo Cunha e Renan Calheiros. Seu ministro do planejamento e braço
direito, senador Romero Jucá, caiu nas gravações que revelaram a existência de
um “acordão” para retirar a presidenta Dilma e “colocar o Temer”, e assim
“estancar as investigações”.
Na condução da política econômica, está Henrique
Meirelles, um banqueiro que ocupou, com êxito, a presidência do Banco Central,
em um ambiente econômico completamente diferente, durante o governo Lula. Hoje,
no Ministério da Fazenda, Meirelles tem o desafio de aprovar a PEC 241 para
levar adiante o seu projeto econômico para o país.
No centro da questão está a limitação dos gastos do
governo, que propõe correções no limite da inflação pelos próximos vinte anos;
o que, na prática, significa congelar os gastos. É simples: a inflação corrói o
orçamento do ano anterior em alguma medida, daí, para compensar, o governo aumenta
o orçamento no mesmo percentual da inflação. O que mantém tudo, como está, sem
corrigir nada.
Assim, os recursos, públicos destinados às áreas
como saúde, educação e segurança, continuariam os mesmos, de hoje, por duas
décadas. Com isto, o governo espera atingir quatro objetivos: 1) frear o
crescimento da dívida pública; 2) manter a inflação sob controle; 3) retomar o
crescimento da economia; e 4) prover, e manter, o crescimento do emprego.
Se a PEC 241 tivesse sido aprovada há vinte anos,
ela poderia ter gerado algum efeito na economia, pois o cenário era outro: o
gasto público era de 9,7% do PIB, e hoje é de 19,6%; a dívida pública que era
de R$ 108,6 bilhões, atualmente chega a R$ 2,955 trilhões, com estimativas de
chegar a R$ 3,3 trilhões até o final deste ano.
Não há dúvida em relação à necessidade do ajuste
fiscal, por parte do governo. Porém não há clareza quanto à forma de iniciá-lo.
Os gastos federais se distribuem em muitas categorias, porém os maiores concentram-se
em três grupos: 1) pagamento de juros e amortizações da dívida pública, 42,68%;
2) gastos previdenciários, 21%; e, 3) o pagamento de pessoal, que consome
15,35%. Estes conjuntos somam 79,03%
dos gastos federais. No entanto, a PEC 241 atinge, apenas, 50% do orçamento, e isto
acontece porque quase a metade do gasto do governo é com a dívida pública, e
esta parte ficou de fora do projeto.
A
tabela a seguir mostra o quadro geral do orçamento do governo no período de
2003 a 2015.
|
1
|
2
|
3
|
4
|
5
|
|
Quadro Orçamentário do Setor Público
e Crescimento
|
Resultado do orçamento primário (antes
do pagamento dos juros)
(em % do PIB)
|
Despesas com juros
(em % do PIB)
|
Déficit orçamentário (após o pagamento
dos juros)
(em % do PIB)
|
Taxa de crescimento do PIB
(em %)
|
|
Média
2003-2013
|
2,89
|
-5,91
|
-3,02
|
3,6
|
|
2014
|
-0,57
|
-5,48
|
-6,05
|
0,1
|
|
2015
|
-1,88
|
-8,5
|
-10,38
|
-3,8
|
Observe,
na coluna 2, que entre 2003 e 2013 o orçamento, dos gastos com a manutenção do
governo, é superavitário, e, só se torna negativo após o pagamento dos juros da
dívida. É, a partir de 2014, que a economia brasileira absorve a crise
internacional - da Zona do Euro, dos Estados Unidos e a redução do crescimento
chinês – com reflexos em todos os indicadores da economia: 1) a balança comercial,
que apresentou saldos positivos entre 2001 e 2013, se tornou negativa; 2) a
queda da balança comercial reduziu a acumulação de reservas internacionais e a
dívida externa líquida (soma de tudo o que o governo e o setor privado devem no
exterior) se tornou positiva; 3) o PIB começou a cair e a economia entrou em
recessão; 4) a queda da do PIB reduziu a arrecadação de impostos; 5) o gasto público
continuou subindo; 6) com a queda da receita e o aumento de gastos, o governo
entrou, definitivamente, em déficit fiscal; 7) para cobrir o aumento do
déficit, o governo aumentou a taxa de juros; 8) o aumento da taxa de juros
aumentou a dívida; que 9) aumentou as obrigações financeiras do governo, para
com os seus credores.
No
ano de 2015, o déficit foi de 1,85%, mas, após o pagamento dos juros, ele salta
para 10,38%. O que quer dizer que o déficit está nos juros da dívida. E os
gastos com juros são tão altos, em razão da elevada taxa, paga pelo governo aos
seus credores: cada 0,25%, da Selic, corresponde a R$ 8,250 bilhões de reais nas
contas públicas.
A
estrutura de gastos do governo se divide em duas colunas: 1) Receitas e 2)
Despesas. Do lado das receitas, a carga de impostos, que é considerada alta, já
chegou a 39,7% do PIB e atualmente está em 35%. Do lado das despesas, existem
duas categorias: 1) Gastos de custeio e 2) Gastos de investimento. O primeiro
visa à cobertura das despesas constantes, para a manutenção do governo, como o
pagamento dos funcionários públicos, manutenção de prédios, veículos, escolas,
enfim, tudo o que é da sua responsabilidade. E é, justamente, neste grupo onde
se encontra o problema brasileiro: a manutenção do governo consome, quase todo
o orçamento, deixando pouco, ou nada, para a realização de investimentos.
O
surgimento do governo nas sociedades se deu pela necessidade de um agente
desinteressado de questões particulares, preocupado, apenas com o bem-estar
geral. Assim, as ações do governo devem ser orientadas para o cumprimento de
funções específicas capazes de fornecer as necessidades que a sociedade
demanda, mas não consegue se organizar para obter, como segurança, saúde,
educação e a rede de proteção formada pelos programas sociais de transferência
de renda, como o Bolsa-família. Neste sentido o governo deve cumprir três
funções básicas: alocativa, estabilizadora e distributiva. A função alocativa
diz respeito ao recebimento dos impostos e a sua distribuição na forma de
gastos.
Ao
executar esta tarefa, o governo cria e mantém a estrutura de serviços públicos,
como hospitais, escolas, segurança, serviços de assistência social,
investimento em infraestrutura, entre outros. Em outras palavras, é preciso
lembrar que o sentido dos impostos é o financiamento dos serviços oferecidos
pelo governo. Os impostos são uma parte da renda das pessoas, que é entregue ao
governo para sustentar o interesse público. Assim, todas as pessoas que
trabalham, que produzem qualquer tipo de renda, ou que consomem qualquer coisa,
se tornam financiadoras do governo. Portanto, a PEC 241 precisa ser debatida
por todos os brasileiros.
Já
os gastos de investimento se destinam a financiar a intervenção do governo na
estrutura produtiva da economia. A teoria econômica em geral, defende que em
situações de queda contínua do PIB, é indicada a realização de programas de
investimentos por parte do governo, caso contrário, a economia não volta à normalidade.
A
segunda atribuição do governo é a função estabilizadora, a qual se refere à
incumbência de coordenar a economia na direção dos objetivos pretendidos e de
intervir, para corrigir desvios, se for necessário.
A
estabilidade econômica depende do equilíbrio de quatro grandes objetivos. O
primeiro é a manutenção de taxas, constantes, de crescimento do PIB, que
significa a soma de toda a produção de bens e serviços ocorrida na economia em
determinado período. O crescimento do PIB leva ao segundo objetivo, que é a melhoria,
constante, dos níveis de emprego, e por consequência, ao aumento da renda. Variações
do PIB resultam de mudanças na produção, que, no caso brasileiro, dependem do
impulso dos investimentos públicos.
O
maior desafio da política econômica é o de conciliar os dois primeiros
objetivos, com o terceiro: a estabilidade de preços, ou o controle da inflação
dentro de limites aceitáveis.
A
função distributiva é a terceira, e a “última”, das atribuições do governo, ao
propor a atuação governamental a favor da melhoria da distribuição da renda
entre a sociedade. Visa à distribuição equitativa da renda e da riqueza, a fim
de reduzir os bolsões de pobreza absoluta até a remoção absoluta.
Em
situações de extrema pobreza, os governos criam programas de transferência de
renda, que constituem a “rede de proteção social”. Entre os programas de
proteção social, se encontram instrumentos importantes para o combate à
pobreza, como o seguro-desemprego, que busca assegurar a manutenção básica dos
recém-desempregados, durante determinado período, além de outros programas,
como o bolsa-família - sem levar em conta a realidade e as deformações do
programa vigente.
Ao
adotar estes tipos de programas, o governo transfere renda para os municípios e
regiões mais carentes, e isso cria consumidores locais e abrem oportunidades de
negócios para atendê-los.
Ocorre
que ao propor o sacrifício dos serviços púbicos essenciais e a redução da
assistência social, em benefício dos seus credores, o governo confunde o seu
papel e ignora as atividades-fim do Estado.
E,
agora, com a proposta da PEC 241, o governo Temer declara a decisão de o Estado
deixar de cumprir o seu papel constitucional. Se esta proposta for aprovada
pelo Congresso, restará apenas uma pergunta: qual a razão da existência de um
Estado que é incapaz de prover o básico? E se ainda restarem dúvidas, basta
mais um raciocínio: se o sistema educacional é decadente, se os hospitais são o
início do purgatório, e se a segurança pública inexiste, como estarão daqui a
vinte anos se, não houver nenhum investimento novo, nenhuma mudança?
Que
presidente é este? O presidente
Michel Temer foi o primeiro a votar, no primeiro turno das eleições no dia 2 de
outubro, na PUC (Pontifícia Universidade Católica), em Perdizes, bairro da Zona
Oeste de São Paulo.
Temer chegou por volta de 07h30min
ao local –meia hora antes da abertura dos portões aos eleitores e três horas e
meia antes do horário de votação divulgado, no dia anterior, pela assessoria da
Presidência. A antecipação teve como objetivo, evitar o encontro
com eleitores.
O esquema de
segurança foi reforçado por homens que foram ao local de van e em outros carros
descaracterizados. Ao ser entrevistado pela TV Brasil, do governo federal,
Temer classificou a eleição como “mais um gesto democrático do nosso país, que
vai firmando, cada vez mais, sua democracia, por meio de eleições”, mas a sua
ascensão à presidência se não foi golpe, foi conspiração.
Temer tem
declarado, no exterior, que a economia recuperou a estabilidade, mas o PIB
acumula uma queda de 5,6% nos últimos dose meses. O desemprego saiu de 11,2%,
no primeiro trimestre (ainda no governo Dilma), para 11,6% no segundo trimestre
com Temer. Onde está a recuperação?
Ao mudar as
regras de exploração e de partilha do Pré-Sal, Temer realizou uma mudança
estratégia na área de energia. Qual o interesse do país nesta mudança? Quais os
riscos para o futuro do país?
O governo
Temer abandonou uma aliança estratégica na área de segurança, construída nos
últimos anos, com a Rússia, visando à cooperação técnica-militar e com a China,
que além de ser o maior parceiro comercial do Brasil, tem acordos importantes
na área de cooperação científica. A quem pode interessar a quebra desta
aliança? Talvez aos mesmos interessados na mudança das regras do setor de
petróleo.
Temer participou
da abertura de um evento do setor de petróleo e gás, na segunda-feira (24) no
Rio de Janeiro, e durante seu discurso, afirmou que “o Brasil é vocacionado
para o crescimento e o desenvolvimento”. Frase bonita! Mas, o que significa?
A proposta
do governo, para o ensino, exclui a abstração e o pensamento, e amplia o ensino
técnico, aquele que forma a mão-de-obra. A quem interessa a escola sem
pensamento, sem debate, sem ideias? Até que ponto a escola proposta por Temer,
para a educação, atende a um projeto específico de democracia?
O que dizer
de um presidente que, às vésperas das votações de seu interesse, oferece
jantares, luxuosos, e caros aos seus aliados? Tem como confiar em um presidente, cujo maior
aliado, Eduardo Cunha, foi cassado, e está preso? Por que existe uma campanha,
na imprensa, contra uma possível delação de Eduardo Cunha? Do que o governo, os
jornalistas da Veja e os da Folha de São Paulo têm tanto medo?
Será que a
preocupação do presidente, com o destino da nação, está na mesma medida das “preocupações
sociais” de Marcela Temer?
