quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Apresentação



 Há algum tempo eu criei uma página no Facebook, não foi uma iniciativa espontânea, mas motivada pela cobrança que recebia dos meus alunos e amigos, pois todos estavam na rede social, menos eu. Após a criação do perfil, veio outra cobrança: da minha presença na rede, a qual eu nunca visitava, e, por preferir bate-papos longos junto com os amigos, ainda visito pouco o Face, aliás, outro motivo é a minha impaciência com muita coisa que aparece no Facebook.
A criação deste blog também não foi muito diferente, porque o seu surgimento veio das conversas com os amigos. O que há de diferente aqui é que este blog nasceu com o propósito definido de participar, de forma mais ampla do debate acerca das questões pertinentes à nossa sociedade. Meu objetivo é o de estabelecer uma reflexividade sobre o papel das instituições e crenças que afetam diretamente as nossas vidas. Para isso conto com o apoio e as sugestões de todos. As críticas serão bem-vindas, e as colaborações com textos próprios também, podem mandar os seus.

Além da economia
O modo de vida intranquila e difícil do povo brasileiro, diante de um histórico de crises sucessivas, sobretudo no período recente, tem suscitado diferenças sociais que representam um desafio para o Brasil. O ponto nevrálgico da distribuição de renda para a política econômica está em atrelar o crescimento com a melhoria, contínua e duradoura, na qualidade de vida de todas as pessoas. Para tanto, exige estabilidade e a idealização de mecanismos capazes de estender o progresso a todos, sem exclusões que extrapolem os limites aceitáveis, como nos acostumamos.
No entanto, os nossos fracassos colaboram para a descrença, na capacidade da economia para fornecer parâmetros de política econômica que levem à diminuição de nossas inseguranças. E realmente, sou cético quanto a um país e um mundo viáveis apenas pela dimensão econômica dos fatos. Esta é uma questão ligada à vida humana, e que, portanto, extrapola o campo econômico, rumo ao auxílio de outras ciências, ou melhor de todo o conjunto das ciências sociais, aquelas que se preocupam com a compreensão integral do ser humano. Compreender o ser humano não significa apenas saber onde ele está inserido no sistema econômico, ou quando ele foi rico ou pobre. É se interessar pela forma como cada indivíduo entende a sua própria vida e como ele faz uso desse entendimento para desenvolvê-la, e os movimentos que a inter-relação do conjunto de indivíduos é capaz de produzir, o que representa  todo o complexo de relações em que cada indivíduo vive.
A forma encontrada para organizar essa situação se materializa no capitalismo moderno, liberal, sobre os auspícios da teoria da mão invisível, do economista inglês Adam Smith, que viveu no século XVIII, autor de duas obras que instigam os estudiosos desde que foram publicadas. A difusão do pensamento smithiano se dá, em geral, nos cursos de graduação, a partir do segundo livro, A Riqueza das Nações, publicado em 1776, na Inglaterra, quando postulou o princípio da mão invisível, que conduziria as relações de mercado de forma que seria possível cada pessoa conseguir o que deseja. Antes, porém, em Teoria dos Sentimentos Morais, Smith faz uma profunda análise do senso de conveniência e de interesse do ser humano, os quais alicerçam seus sentimentos morais. Para Smith o ser humano é movido pelo auto-interesse e parte do pressuposto que cada um faz as suas escolhas com base nesse interesse, na expectativa da recompensa que vai receber pelo que pratica. Consciente de sua dependência do convívio com outras pessoas, o ser humano procuraria conquistar prestígio junto a elas para obter as vantagens que deseja. A busca do prestígio envolve, por exemplo, o desejo de ser útil para a sociedade, cuja contrapartida seria o reconhecimento da importância de cada indivíduo para o grupo em que vive.
Desse modo, se todos forem livres para escolher, cada um, em algum momento vai encontrar a felicidade. A Riqueza das Nações trata do aspecto econômico do homem em sociedade, no sentido das satisfações que obtém das escolhas que faz. Essa liberdade é alicerçada no princípio da justiça social, o qual preconiza a garantia da igualdade de condições para todas as pessoas1. Ao Estado caberia a garantia dos direitos e deveres de seus cidadãos. Sendo as regras, estabelecidas por cada sociedade, e do conhecimento de todos, cada um cumprirá a sua parte na busca de seus interesses dentro dos limites permitidos, o que poderíamos denominar limites permitidos pela lei de cada organização social. A democracia avança quando todos possuem igualdade de condições de se manifestar, realizar suas escolhas e de participar da inovação das regras sociais, sem nenhuma exclusão, o que implica mobilizar toda a sociedade na busca dos objetivos traçados.

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