Há algum tempo eu criei uma página no Facebook, não
foi uma iniciativa espontânea, mas motivada pela cobrança que recebia dos meus
alunos e amigos, pois todos estavam na rede social, menos eu. Após a criação do
perfil, veio outra cobrança: da minha presença na rede, a qual eu nunca
visitava, e, por preferir bate-papos longos junto com os amigos, ainda visito
pouco o Face, aliás, outro motivo é a minha impaciência com muita coisa que
aparece no Facebook.
A criação deste blog também não foi muito
diferente, porque o seu surgimento veio das conversas com os amigos. O que há de
diferente aqui é que este blog nasceu com o propósito definido de participar,
de forma mais ampla do debate acerca das questões pertinentes à nossa sociedade.
Meu objetivo é o de estabelecer uma reflexividade sobre o papel das
instituições e crenças que afetam diretamente as nossas vidas. Para isso conto
com o apoio e as sugestões de todos. As críticas serão bem-vindas, e as
colaborações com textos próprios também, podem mandar os seus.
Além da
economia
O modo de
vida intranquila e difícil do povo brasileiro, diante de um histórico de crises
sucessivas, sobretudo no período recente, tem suscitado diferenças sociais que
representam um desafio para o Brasil. O ponto nevrálgico da distribuição de
renda para a política econômica está em atrelar o crescimento com a melhoria,
contínua e duradoura, na qualidade de vida de todas as pessoas. Para tanto,
exige estabilidade e a idealização de mecanismos capazes de estender o
progresso a todos, sem exclusões que extrapolem os limites aceitáveis, como nos
acostumamos.
No entanto,
os nossos fracassos colaboram para a descrença, na capacidade da
economia para fornecer parâmetros de política econômica que levem à diminuição
de nossas inseguranças. E realmente, sou cético quanto a um país e um mundo
viáveis apenas pela dimensão econômica dos fatos. Esta é uma questão ligada à
vida humana, e que, portanto, extrapola o campo econômico, rumo ao auxílio de
outras ciências, ou melhor de todo o conjunto das ciências sociais, aquelas que
se preocupam com a compreensão integral do ser humano. Compreender o ser humano
não significa apenas saber onde ele está inserido no sistema econômico, ou
quando ele foi rico ou pobre. É se interessar pela forma como cada indivíduo
entende a sua própria vida e como ele faz uso desse entendimento para
desenvolvê-la, e os movimentos que a inter-relação do conjunto de indivíduos é
capaz de produzir, o que representa todo
o complexo de relações em que cada indivíduo vive.
A forma
encontrada para organizar essa situação se materializa no capitalismo moderno,
liberal, sobre os auspícios da teoria da mão invisível, do economista inglês
Adam Smith, que viveu no século XVIII, autor de duas obras que instigam os
estudiosos desde que foram publicadas. A difusão do pensamento smithiano se dá,
em geral, nos cursos de graduação, a partir do segundo livro, A Riqueza das
Nações, publicado em 1776, na Inglaterra, quando postulou o princípio da
mão invisível, que conduziria as relações de mercado de forma que seria
possível cada pessoa conseguir o que deseja. Antes, porém, em Teoria dos
Sentimentos Morais, Smith faz uma profunda análise do senso de conveniência
e de interesse do ser humano, os quais alicerçam seus sentimentos morais. Para
Smith o ser humano é movido pelo auto-interesse e parte do pressuposto que cada
um faz as suas escolhas com base nesse interesse, na expectativa da recompensa
que vai receber pelo que pratica. Consciente de sua dependência do convívio com
outras pessoas, o ser humano procuraria conquistar prestígio junto a elas para
obter as vantagens que deseja. A busca do prestígio envolve, por exemplo, o
desejo de ser útil para a sociedade, cuja contrapartida seria o reconhecimento
da importância de cada indivíduo para o grupo em que vive.
Desse modo, se todos forem
livres para escolher, cada um, em algum momento vai encontrar a felicidade. A
Riqueza das Nações trata do aspecto econômico do homem em sociedade, no sentido
das satisfações que obtém das escolhas que faz. Essa liberdade é alicerçada no
princípio da justiça social, o qual preconiza a garantia da igualdade de
condições para todas as pessoas1. Ao Estado caberia a garantia dos
direitos e deveres de seus cidadãos. Sendo as regras, estabelecidas por cada
sociedade, e do conhecimento de todos, cada um cumprirá a sua parte na busca de
seus interesses dentro dos limites permitidos, o que poderíamos denominar
limites permitidos pela lei de cada organização social. A democracia avança
quando todos possuem igualdade de condições de se manifestar, realizar suas
escolhas e de participar da inovação das regras sociais, sem nenhuma exclusão,
o que implica mobilizar toda a sociedade na busca dos objetivos traçados.
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