A explicação da
realidade econômica, pelos economistas, se apoia, em grande parte, na precisão
de cálculos matemáticos e estatísticos. A economia é uma área que se utiliza
das ciências exatas para criar formas de descobrir e explicar a dinâmica
econômica, mas a economia, em si, não pode ser considerada um campo de estudo
exato. O movimento econômico é resultado de múltiplas decisões formadas por
cada pessoa no cotidiano comum, as quais têm razões diversas e se modificam
pelos motivos mais variados possíveis: as vontades humanas; a renda que
recebem; a variação da renda; e até questões climáticas, entre tantas outras
coisas, influenciam na economia. Isso indica que o movimento da economia recebe
a interferência de fatores extraeconômicos, e que a vida econômica vai além da
análise numérica. Desse modo a análise econômica depende de abstrações que vão
além do que se vê a “olho nu”.
Existe, também, a
crença de que o curso econômico obedece a leis naturais e constantes, mas isso
não passa de um sofisma, entre os tantos que fazem parte das explicações dos
economistas. As crises econômicas ocorridas no século XX deixaram isso claro.
Somando se a elas a crise econômica que vem se desenrolando nos últimos oito
anos, a compreensão do quadro econômico se torna ainda mais nebulosa.
O sistema econômico se
constitui de relações. Num primeiro momento existem as pessoas, que são as
detentoras, proprietárias dos recursos. Para simplificar, podemos usar a
palavra “ganância”, para explicar os motivos que movem as pessoas no sentido de
ganhar mais. Desse movimento surgem as firmas. E com elas, nasce a primeira
relação econômica: a relação entre capital e trabalho. A explicação em economês
diz que: onde existe demanda, a oferta se faz. Em outras palavras, sempre que
aparecer demanda, ou seja, alguém procurando, querendo comprar alguma coisa,
vai aparecer alguém para vender. Não importa o que for procurado: alimento,
arma, droga, sexo, tratamento de beleza, seja o que for. Desse modo se
estabelece a segunda relação, agora a de mercado, entre firmas e seus demandantes.
A questão mais
importante nestas duas relações é quanto aos fatores que as movimentam. Enquanto
o capital se movimenta em direção ao lucro, o mercado se desloca de acordo com
o preço. A movimentação do lucro, por um lado e a dos preços, por outro são
dois tormentos para a gestão econômica. Primeiro, porque existem duas fontes de
lucro: pelo investimento na produção de algum bem ou serviço, ou pelo empréstimo
em troca de juros. Isso quer dizer que a taxa de juros exerce forte influência
sobre as decisões entre investir ou não.
Sendo a taxa de juros,
tão importante, a pergunta é: o que faz os juros? De onde eles surgem? Por que
eles não são extintos? Em economês, a resposta é: os juros existem porque há
agentes superavitários e deficitários dentro do sistema econômico, mas em
português a explicação é: porque têm pessoas com as contas no azul, mas também
existem as que vivem com o orçamento no vermelho. Ora, quem gasta mais do que
tem, precisa rolar essa parte de alguma forma: por empréstimos, renovação de
dívida, parcelamentos e por aí vai. O sistema financeiro surge para atender a
esta necessidade: a intermediação entre quem poupa e quem não consegue poupar. Quanto
maior a quantidade de pessoas procurando empréstimos, financiamentos, maior
será a taxa de juros. É importante notar também que na medida em que mais
pessoas buscam dinheiro nos bancos, menos pessoas vão poupando e o custo do
dinheiro, a taxa de juros vai subindo e essa subida desloca boa parte do
dinheiro da produção para o ganho mais fácil com a taxa de juros.
Com a taxa de juros em
alta, os custos dos financiamentos das empresas se tornam maiores e os
investimentos vão sendo desestimulados. A queda dos níveis de investimento, por
sua vez afeta o mercado de forma generalizada. Primeiro porque as empresas
passam a contratar menos, porque a produção está em queda, ou sem aumentar, e
isso derruba o emprego. Com o emprego, cai a geração de renda e com ela o
consumo das pessoas. Quando a demanda (consumo) cai, as vendas acompanham a
queda que levam junto, o lucro das empresas. A isso os economistas denominam
“queda da atividade econômica”, até um ponto e “recessão” a partir de outro
ponto.
Por outro lado, taxas
de juros baixas reduzem os lucros dos empréstimos, e podem induzir os donos do
dinheiro para ganhar mais no setor produtivo. Isso aumenta o emprego, a renda,
o consumo, enfim a economia gira e cresce. Quando isso acontece, ou melhor, na
medida em que a economia cresce ao longo do tempo, normalmente ocorre um
fenômeno chamado aumento de confiança, por parte de todos que fazem parte do
sistema. Essa confiança proporciona, às pessoas, a possibilidade de planejarem
seus gastos presentes e futuros. Aí entra a questão do crédito, porque quando
as pessoas se sentem seguras em seus empregos, quando conseguem manter seus
níveis de renda, elas se arriscam mais no consumo presente para pagamento
futuro. Enquanto esta segurança é mantida, a economia caminha, quase sempre, de
maneira normal, o problema disso é que chega a um ponto em que a segurança é
substituída pela euforia, porque a tendência comum das pessoas é a de acreditar
que a maré favorável não vai passar.
Acontece que o processo
produtivo envolve, pelo menos, quatro recursos de produção: o capital, a
matéria-prima, a mão-de-obra do trabalhador e a tecnologia aplicada ao processo
de transformação das matérias. Daí que nenhuma economia possui esses recursos
em volumes inesgotáveis. Qualquer economia, por mais rica e desenvolvida que
possa ser, em algum momento sente a escassez de algum destes recursos de
produção. Isto quer dizer que, depois de um ciclo, ou período, de crescimento,
a economia esbarra na falta de algum dos fatores produtivos, e isto encarece a
produção, ou então pode gerar aumento de preço do produto em questão. O tamanho
do problema vai depender do estrago causado na expectativa das pessoas em
relação ao futuro, o que depende do fator que se escassear e do estágio de
desenvolvimento da economia; primeiro porque cada um dos quatro recursos tem
uma participação particular no processo de produção e; segundo porque o
estágio, ou grau de desenvolvimento indica a qualidade dos recursos e a
capacidade de reação.
Assim, o custo do
capital, indica saúde da economia, porque se as taxas de juros são baixas, ou
melhor, favoráveis a quem demanda dinheiro, é porque a reserva de dinheiro para
empréstimo consegue atender à procura. Mas isto indica, ainda que o grau de
endividamento, das pessoas, está dentro do aceitável pelo sistema. A
disponibilidade das matérias-primas e a exploração correta indicam equilíbrio
entre homem e natureza, portanto desenvolvimento sustentável. A qualidade da
mão-de-obra facilita a inovação e a invenção. E por fim, a tecnologia reduz
desperdícios e ganhos de quantidades e qualidades. Quando o recurso escasso é o
capital, todo o sistema sofre. O dinheiro está para a economia como o sangue
está para um organismo animal. Onde ele falta, a economia perde oxigênio. A
economia funciona como o corpo humano, em que todos os órgãos, todos os membros
estão ligados.
Agora, falando de
escassez de dinheiro, a questão é: o que causa a falta de dinheiro? Qual a
origem das dívidas? Estas perguntas demandam outro artigo.
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